A crescente valorização da saúde e do bem-estar vem redefinindo os hábitos dos consumidores brasileiros, com impactos diretos nas escolhas alimentares, no consumo de bebidas e na prática de atividades físicas
De acordo com a pesquisa “Alimentação Hoje: a visão do consumidor”, realizada pela Galunion, quase metade da população já adota comportamentos mais conscientes: 46% afirmam cuidar mais da saúde por meio de dietas específicas ou do uso de suplementos, enquanto 45% relatam aumento na prática de exercícios físicos. Ao mesmo tempo, 39% dizem ter reduzido a frequência de consumo de bebidas alcoólicas, refletindo uma busca mais ampla por equilíbrio físico e mental.
O estudo ouviu 1.008 consumidores brasileiros das classes A, B e C, distribuídos por todas as regiões do país, e revela que esse movimento atravessa diferentes faixas etárias. Do total de respondentes, 21,5% têm entre 18 e 24 anos, 37% estão na faixa de 25 a 40 anos, 32,5% possuem entre 41 e 60 anos e 9% têm mais de 61 anos. Em relação ao perfil socioeconômico, 10% pertencem à classe A, 41% à classe B e 49% à classe C, indicando que o interesse por hábitos mais saudáveis não está restrito a um único grupo de renda.
Outro ponto de destaque do levantamento é o aumento da atenção aos detalhes dos produtos consumidos. Segundo a pesquisa da Galunion, 58% dos entrevistados afirmam observar com mais cuidado os rótulos e a origem dos alimentos. Entre aqueles que buscam uma alimentação mais saudável, ganham relevância atributos como alimentos frescos, funcionais, associados ao bem-estar mental, com baixo teor calórico, alto conteúdo proteico e apelo orgânico.
A redução do consumo de bebidas alcoólicas aparece como uma mudança especialmente forte entre os jovens adultos, motivada por fatores que vão além da saúde física e mental, incluindo maior valorização da presença social e controle de gastos. Esse comportamento tem impulsionado a indústria a investir em alternativas não alcoólicas mais sofisticadas, como mocktails e cervejas sem álcool, que entregam experiência sensorial sem o teor alcoólico.
Pela primeira vez, também foi analisado o impacto do uso de medicamentos para redução de peso ou apetite. Os dados mostram que 22% dos entrevistados estão utilizando esse tipo de medicamento ou conhecem alguém próximo que faz uso, percentual que sobe para 32% entre consumidores da classe A. Entre os que relataram essa experiência, 62% perceberam uma redução significativa do apetite, 55% indicaram menor desejo por alimentos específicos, como doces, frituras e bebidas alcoólicas, e 42% afirmaram ter incorporado opções mais saudáveis à dieta diária.
Esses resultados indicam uma mudança estrutural na relação com a alimentação, que passa a ser mais funcional e orientada por objetivos nutricionais claros, como maior ingestão de proteínas e fibras e preferência por porções menores. Esse novo perfil de consumo já começa a influenciar tanto a indústria de alimentos quanto o foodservice, reforçando a consolidação de um mercado cada vez mais alinhado às demandas por saúde, bem-estar e escolhas conscientes.